A Homeopatia frente a EpistemologiaII-CAPÍTULO V

A LÓGICA HOMEOPÁTICA: UMA LÓGICA NÃO-ARISTOTÉLICA

CAPITULO V- A LÓGICA HOMEOPÁTICA: UMA LÓGICA NÃO-ARISTOTÉLICA

1- PARA SE CONSTRUIR UMA NOVA LÓGICA

Bachelard(1) tenta mostrar agora que o objeto genérico correspondente à lógica aristotélica guardou indevidamente uma especificidade pelo fato de obedecer à localização euclidiana, o melhor é com certeza revelarmos um novo objeto que este sim, abandonou alguns princípios desta localização, que contraria consequentemente a especificação através da localização euclidiana.

Sob a designação de postulado do não-análise exploramos o princípio de Heisenberg cuja função generalizada equivale a tornar ilegítima a reparação das qualidades espaciais e das qualidades dinâmicas da determinação do micro-objeto. De acordo com este princípio, o micro-objeto apresenta-se então como um objeto duplamente especificado. Correlativamente a medição acerca de uma tal especificação dupla faz-nos compreender que o objeto que se localiza estaticamente na intuição ordinária é mal especificado ou que pelo menos seria mal especificado se quisesse ter dele um conhecimento de segunda aproximação. Ainda por outra palavra, no dizer de Bachelard (1), a sua especificação local é uma mutilação da dupla especificação a partir de agora indispensável para organizar a microfísica. Então, por um paradoxo que paralisa certamente o espírito filosófico clássico, mas cujos termos temos no entanto que aceitar, é o objeto duplamente especificado da microfísica que se apresenta como mais geral do que o objeto simplesmente especificado do senso comum. Por outras palavras, o espaço da intuição ordinária em que se encontra os objetos não é mais do que uma degenerescência do espaço funcional em que os fenômenos se produzem. Ora a ciência temporânea pretende conhecer fenômenos e não coisas não é de modo algum coisista. A coisa não é mais do que fenômeno parado.

Encontramo-nos, segundo Bachelard, então perante uma inversão de complexidade: é preciso conceber essencialmente os objetos em movimento e procurar em que condições eles podem ser considerados em repouso, fixar no espaço intuitivo; já não se pode, como outrora, conceber os objetos naturalmente em repouso – como coisas – e procurar em que condições eles podem mover-se. esta inversão impõe uma conversão nos valores metafísicos postulados como primordiais. Sugere-nos uma conclusão metafísica estritamente inversa da correção que Schopenhauer impôs ao kantismo: por interposição da causalidade, Schopenhauer queria fazer descer todas as categorias kantianas do entendimento para a sensibilidade. Para satisfazer as novas necessidades do entendimento na sua reforma perante os novos fenômenos, pensamos que será pelo contrário necessário fazer ascender as duas formas de intuição sensível até o entendimento, deixando à sensibilidade o seu papel afetivo, o seu papel auxiliar da ação comum, chegaremos assim a uma determinação dos fenômenos no espaço pensado, no tempo pensado, em suma em formas estritamente adaptadas as condições nas quais os fenômenos são representados. Chegarmos assim a uma conclusão que já se nos havia imposto quando das mesmas reflexões sobre o não – substancialismo:o plano de representação devidamente intelectualizado é o plano em que realiza o pensamento científico contemporâneo, o mundo dos fenômenos científicos é a nova representação intelectualizada. Vivemos no mundo da representação intelectualizada. O mundo em que se pensa não é o mundo em que se vive. A filosofia do não constituir-se-ia em doutrina generalizada se conseguisse coordenar todos os exemplos em que o pensamento rompe com as obrigações da vida. Para além desta conclusão metafísica, parece-nos sobretudo que pelo menos uma conclusão é certa: é que funções dinâmicas correlativas ao estudo dos micro-objetos se apresentam em ligação inseparável com as funções de localização. A lógica generalizada já não pode pois surgir como uma descrição estática do objeto genérico. A lógica já não pode ser coisista, tem que reintegrar as coisas no movimento do fenômeno. Mas então, ao tornar-se uma física dinâmica do objeto genérico a lógica é levada a ligar-se a todas as teorias novas que estudam os novos objetos dinamizados. É obrigada a cristalizar em tantos sistemas quantos são os tipos de objetos dinamizados. O objeto estabilizável, o objeto imóvel, a coisa em repouso formavam o domínio de verificação da lógica aristotélica. É necessário determinar tantas lógicas quantos os tipos de objetos genéricos. A lógica contemporânea necessita de reforma psicológica.

A solidariedade da ciência newtoniana e da lógica aristotélica é por outro lado a solidariedade da ciência não newtoniana e da lógica não-aristotélica, segundo Reiser, que demonstra a adoção de uma física não-newtoniana, exige a adoção de uma lógica não-aristotélica através dos postulados e as principais características da física newtoniana como conseqüência necessária dos postulados e dos princípios e caracteres da lógica aristotélica.

O postulado da tautologia significa simplesmente que, uma mesma página, a mesma palavra deve manter a mesma significação. Se empregar a palavra num novo sentido, e se o contexto não é suficientemente claro para que o sentido metafórico seja evidente, é preciso assinalar explicitamente a alteração semântica, o princípio de tautologia regula tudo, mesmo o imaginário, o fantástico, o irreal. O principio de tautologia estabelece o acordo constante entre o autor e o leitor. É o próprio princípio da leitura. Mas não existe nada de comum entre a permanência da significação de uma palavra e a permanência das propriedades de uma coisa. É preciso pois distinguir entre o postulado tautológico que impõe a permanência da palavra e o postulado tautológico postulado de identidade.

O postulado de identidade impõe a permanência de objeto, ou mais exatamente a permanência de um caráter ou de um grupo de caracteres de um objeto.

O antigo espírito científico, formado pelo sistema ternário entre a lógica, a matemática e a física, era homogêneo, rico de provas convergentes, ilustradas por instruções fáceis e numerosas. Mas esta tríplice solidariedade dos princípios lógicos, matemáticos e físicos viria a ser nociva ao seu império universal. Com efeito, desde que se manifestam se na dialética das três regiões do seu império, esta dialética deveria, a pouco e pouco, repercutir-se por toda parte.

O espírito será, então devolvido à sua função de mutação, para se transformar tirará proveito de todas as transformações. Verificará que ao convidá-la para um novo pensamento, a ciência contemporânea lhe conquista um novo tipo de representação, portanto um novo mundo.

Relembramos o princípio de Heisenberg, dando lhe uma forma geral, “Não é possível, diz nos o princípio, atribuir um valor absolutamente exato simultaneamente a variável que designa a localização de um corpúsculo e a variável que designa o estado dinâmico do mesmo corpúsculo.” A idéia força da teoria de Février (3), consiste em fazer passar para o domínio lógico a interdição física de compor a dupla precisão sobre o estado geométrico e sobre o estado dinâmico. Basta para isso que uma proposição que designaria a localização de um corpúsculo seja declarada, logicamente imcomponível com uma proposição que designaria o estado dinâmico preciso do mesmo corpúsculo.

As condições psicológicas e até fisiológicas de uma Lógica não-aristotélica aforam resolutamente encaradas no importante trabalho de Conde Alfred Korzybski(“Science and Sanity – An introduction to non-aristotelian sistema and general semantics” – Nova York, 1933). Propõe uma reforma no sentido não-aristotélico de várias ciências, como um plano de saúde, como uma educação do rigor, como a integração do pensamento ativo no progresso da vida, dir-se-ia com efeito, que nunca se dá demasiada importância aos fatores psíquicos e mais precisamente ao fator intelectual na harmonia dinâmica de um organismo acordado. dever-se-ia, acabar um cérebro da criança como um organismo aberto, como o organismo das funções psíquicas abertas, com educadores não aristotélicos, necessário psicanalisar os educadores. O mestre deve aprender ensinando. técnica não elementar, neuropsicológica, técnica especial a não identidade.

Na realidade, o método de Korzyshsky, é incentivo das funções espirituais, dinamiza verdadeiramente o psiquismo. Esta dinamização reage sobre todas as funções biológicas. De fato o exercício intelectual é fisicamente benéfico. Correlativamente a blocagem intelectual parece-nos tão nociva como a blocagem afetiva, é por isso que estaríamos interessados em trabalhar numa psicanálise do conhecimento objetivo. Seja a que nível for da educação, o psiquismo humano deve ser permanentemente sentido para a sua tarefa essencial de prevenção, de atividade, de abertura. “A verdade é filha da discussão e não filha da simpatia.”

Por não se dominar ainda um pensar integral, por falta de evolução do pensamento científico integrado e integral, a Homeopatia permanece estacionária no empirismo, sofrendo as utilizações ilegítimas da ciência e do método científico que contribuíram para o seu esquecimento e a sua negação como método terapêutico de base científica própria.

A Homeopatia integrará com a lógica do conhecimento humano através de suas raízes epistemológicas quebrando totalmente uma lógica medíocre e a noção de vazio para coexistência das três dimensões numa lógica em que tempo e espaço será único e de forma paralela, explicando a coincidência ou sincronicidade de eventos, num completo domínio de um pensar humano através do espírito.

A Homeopatia se manifestará como uma proposta de síntese dos sistemas de enunciados propostos até então por uma ciência da lógica científica ou da lógica do conhecimento e a filosofia conceitual, e promoverá a integralização do enunciado singular ou particular nos enunciados universais buscando senhorear conceitos universais numa seqüência lógica do particular ou da concepção físico-dinâmica do Universo

(1) BACHELARD, Gaston:- “A Filosofia do Não”. Abril Cultural, 1974.

(2) O. L. Reiser – “Non-aristotelian logic and the crisis in the Science.” Scientia, 1937 . cit in BACHELARD, Gaston:- “A Filosofia do Não”. Abril Cultural, 1974.

(3) LÉON BRILLOUIN, DESTOUCHES E LANGEVIN. – “Les nouvelles theories de la physique”, 1939 pág 41, pág. 246 no Congresso de Filosofia, 1937, reforçado no Congresso de Varsóvia, 1938, Cit. in BACHELARD, Gaston:- “A Filosofia do Não”. Abril Cultural,1974.

2 – COLOCAÇÃO DE ALGUNS PROBLEMAS FUNDAMENTAIS

Um cientista, seja teórico ou experimental, formula enunciados ou sistemas de enunciados e verifica-os um a um. No campo das ciências empíricas, ele formula hipóteses ou sistemas de teorias, e submetidos a teste, confrontando-os com a experiência, através de recursos de observação e experimentação. Segundo K. Popper (4) a tarefa da lógica da pesquisa científica, ou lógica do conhecimento, é, proporcionar uma análise lógica desse procedimento, ou seja, analisar o método das ciências empíricas. E por mais estranho que nos pareça, uma ciência dita empírica como a Homeopatia, que tem mais de duzentos anos, envolvendo a vida do homem e tratando diretamente com ele, não poderia ter ficado tanto tempo entregue ao esquecimento desta dita lógica do conhecimento. Que conhecimento seria este, incapaz de explicar a lógica de leis fundamentais que regem todos os sistemas ditos organizados? Que conhecimento seria este e que base ele se fundamenta realmente, para se concentrar neste ou naquele campo determinado de interesses, direcionando sua análise do objeto segundo a formação do observando e o momento psico-social em que convive? Deveremos reconhecer a limitação do conhecimento humano científico e tecnológico, determinado num processo evolutivo de tempo e espaço limitado; se não quisermos perder a expressão humana como um todo; e somente a conceberemos na verdadeira liberdade do pensar, abstraindo em nossos conceitos a definição de tempo e espaço, para concebermos conceitos mais amplos e universais, sem menosprezar a evolução científica até então, já que somente assim poderemos enfocar a Homeopatia numa concepção sintética do pensamento filosófico conceitual e a lógica do conhecimento científico.

(4) POPPER, Karl Raimund: – “A Lógica da pesquisa científica”. São Paulo, Ed. Cultrix.1989,567 págs. (pag 27)

2.1-O PROBLEMA DA INDUÇÃO NA HOMEOPATIA

Segundo concepção amplamente aceita e contesta da por K. Popper (5) as ciências empíricas caracterizam-se pelo fato de empregarem os chamados ” métodos indutivos”. de acordo com essa maneira de ver, a lógica da pesquisa científica se identifica com a lógica Indutiva, isto é, com a análise lógica desses métodos indutivos.

É comum dizer-se indutiva “uma inferência, caso ela conduza de enunciados singulares, tais como descrições dos resultados de observações e experimentos, para enunciados universais, tais como hipóteses ou teorias. E ainda segundo ele, pag. 28, “está longe de ser óbvio, de um ponto de vista lógico haver justificativa no inferir enunciados universais de enunciados singulares, independentemente de quão numerosos sejam estes; com efeito, qualquer conclusão colhida desse modo sempre pode revelar-se falsa: independentemente de quantos casos de cisnes brancos possamos observar, isso não justifica a conclusão de que todos os cisnes são brancos.” E para colocarmo-nos dentro do medicina, mais propriamente da Homeopatia, poderíamos partindo do mesmo raciocínio, dizer que: independentemente de quantos casos de pneumonia tratados com este ou aquela forma terapêutica e que tiveram resultados positivos, isso não justifica a conclusão de que o próximo paciente tratado com a mesma forma terapêutica, terá uma resposta necessariamente positiva contra a pneumonia como os demais.

A questão de saber, pag 28, se as inferências indutivas se justificam e em que condições é conhecida como o problema da indução.

O problema da indução também pode ser apresentado como a indagação acerca da validade ou verdade de enunciados universais que encontrem base na experiência, tais como as hipóteses e os sistemas teóricos das ciências empíricas. Muitas pessoas, bem como muitos homeopatas, acreditam, com efeito, que a verdade desses enunciados universais é conhecida através da experiência”; contudo, esta claro que a descrição de uma experiência – de uma observação ou do resultado de um experimento – só pode ser um enunciado singular e não um enunciado universal. Nesses termos, as pessoas que dizem que é com base na experiência que conhecemos a verdade de um enunciado universal querem normalmente dizer que a verdade desse enunciado universal pode, de uma forma ou de outra, reduzir-se à verdade de enunciados singulares e que, por experiência, sabe-se serem estes verdadeiros. Equivale isso a dizer que o enunciado universal baseia-se em inferência indutiva. Assim, indagar se há leis naturais sabiamente verdadeiras é apenas outra forma de indagar se as inferências indutivas se justificam logicamente.

Se desejarmos estabelecer um meio de justificar as inferências indutivas, deveremos, antes de tudo, procurar determinar um princípio de indução. Tal princípio seria um enunciado capaz de auxiliar-nos a ordenar as inferências em forma logicamente aceitável. Aos olhos dos defensores da Lógica Indutiva, um princípio de indução é de extrema importância para o método científico : “…esse princípio “, de Reichenbach, “ determina a verdade das teorias científicas. Eliminá-lo da Ciência significaria nada menos que privá-la do poder de decidir quanto à verdade ou falsidade de suas teorias. Sem ele, a Ciência perderia indiscutivelmente o direito de separar suas teorias das criações fantasiosas e arbitrárias do espírito do poeta.” pag. 28. Segundo Popper, o princípio de indução não pode ser uma verdade puramente lógica, tal como a tautologia ou um enunciado analítico. De fato, se existisse algo assim como um princípio puramente lógico de indução, não haveria problemas de indução, pois, em tal caso, todas as inferências indutivas teriam de ser encaradas como transformações puramente lógicas ou tautológicas, exatamente como as inferências no campo da Lógica Dedutiva. Assim sendo, o princípio de indução há de constituir-se num enunciado sintético, ou seja, enunciado cuja negação não se mostre contraditória, mas logicamente possível. Dessa maneira, surge a questão de saber por que tal princípio deveria merecer aceitação e como poderíamos justificar-lhe a aceitação em termos racionais.

Alguns dos que acreditam na Lógica Indutiva apressam-se a assinalar, acompanhando Reichenbach, que ” o princípio de indução é aceito sem reservas pela totalidade da Ciência e homem algum pode colocar seriamente em dúvida a aplicação desse principio também na vida cotidiana”. pag 29. Contudo, afirma Popper (6), ainda admitindo que assim fosse- pois, afinal, ” a totalidade da Ciência” poderia estar errada -, eu continuaria a sustentar que um princípio de indução é supérfluo e deve conduzir a incoerências lógicas. Tanto é verdade que hoje vemos “a totalidade da Ciência” reverberando raciocínios de coerências lógicas induzida por valores econômicos de consumo, promovendo um cientificismo técnico sem valores humanos, fazendo dos diversos campos de pesquisa, lugar para sofismas e dogmatismos escolásticos centralizados em cátedras de universidades falidas em seus princípios básicos, quais sejam a universalização da cultura.

O Princípio de Indução tem conduzido a medicina em sua totalidade, a grandes equívocos e incoerências,mas que revestida de uma lógica incrível, fez com que esclarecesse suas próprias finalidades humanas. O homem moderno, acomodado em seu raciocínio fácil, vestido de uma curiosidade superficialista, massificado pela aculturação que se generalizou neste fim de século, deixou-se confundir com a coisa observada, o objeto estudado e perdeu-se na incoerência da lógica indutiva na infinitesimalidade da matéria.

Reaver este desvio e recomeçar um sentido diferente dado ao raciocínio científico é a minha maior proposta aqui, buscar a essência perdida quando o pensamento humano se tecnicizou no materialismo histórico nutrido pelo capitalismo selvagem deste final de século. Para senhorear o eixo central de meu discurso, necessário se faz retomemos o começo do século XIX, onde o nascimento da teoria atômica e a descoberta dos elementos químicos cujas combinações produzem todos os corpos inorgânicos, tecendo as bases da química inorgânica e polarizando a Ciência em elementos minerais ou inorgânicos e elementos orgânicos, sendo estes sintetizados até então, somente pelos seres vivos; como a ureia, descoberta em 1773 por Rouelle na urina. Esta oposição antiga entre o orgânico e o inorgânico, nada mais é que o reflexo sobre a matéria, desta dualidade, da forma de concepção que se cristalizou o pensamento humano, que evoluiu pela forma indutiva da lógica científica de um lado e da filosofia conceitual, do materialismo dialético e da metafísica positivista ou espiritualista, do mecanicismo newtoniano e das teorias vitalistas.

Após a constatação que David Hume fez, no segundo quartel do século XVIII, que a justificação empírica da indução é a rigor impossível, passamos a reconhecer unanimemente que o ideal original de certeza e infalibilidade do conhecimento não pode, nem poderá ser alcançado. Essa constatação de Hume veio exercer uma enorme influência na Filosofia. Estimulou desde a retomada de doutrinas racionalistas até uma atitude de completo ceticismo quanto à possibilidade de conhecimento do mundo exterior, além, naturalmente, de levar a tentativas de reformulação dos processos e objetivos do empirismo.

A primeira via foi trilhada por Kant e seus seguidores, que no entanto importantes porções do conhecimento que seu sistema levava a reconhecer como de natureza a priori, e portanto certo, foi colocado em dúvida pelos avanços da física, em nosso século. O que não lhe tira o mérito de ter contribuído para uma sistematização do conhecimento humano da época e exercer influência até mesmo sobre Hahnemann, como vimos anteriormente.

E foi justamente nesta época, final do século XVIII,da influências das ideias de Kant, num terreno onde o evolucionismo de Lamarck firmava suas bases, escreve Hahnemann em seu “Organon da arte de curar”: A força vital espiritual, que no estado de saúde anima o corpo material (organismo) e lhe dá um dinamismo (autocracia) não conhecendo os limites e retém todas as partes dentro de uma vida de remarcável harmonia sobre o comando do sentimento e da atividade, de maneira que o espírito dotado de razão podendo se servir livremente deste utensílio vivo e são para cumprir o mais nobre ideal de nossa existência “

Samuel Hahnemann distinguiu no Organon, dois níveis teóricos na Homeopatia, um fenomenológico e outro construtivo, este último tendo como conceito central o de princípio ou força vital. Esta abordagem puramente fenomenológica dos processos patológicos e terapêuticos (objeto de estudo da medicina) pode ser associada à vertente empirista da Filosofia iniciada na Inglaterra por John Locke, eminente filósofo do final do século XVII, e cultivada no século seguinte por George Berkeley e David Hume.

As teorias fenomenológicas, aquelas cujos princípios se refiram exclusivamente a propriedades e realações empiricamente acessíveis entre fenômenos e entenda-se por fenômenos aquilo que aparece aos sentidos, permitem através da conexão e integração, deduzir outras consequências empiricamente observáveis como é o caso da termodinâmica, da teoria especial da relatividade e a teoria natural de Darwin-Wallace.

Já as teorias construtivas envolvem princípios referentes a entidades e mecanismos inacessíveis à observação direta, postulados como objetivo de explicar os fenômenos através de sua “construção” a partir dessa suposta estrutura fundamental subjacente, como a mecânica- quântica, a mecânica estatística, o electromagnetismo, genética molecular e grande parte das teorias químicas.

É Importante observar que essas duas categorias de teoria não são conflitantes, no sentido de que é possivel que um mesmo conjunto de fenômenos seja tratado por duas teorias, uma fenomenológica e outra construtiva em tal caso a última iria além da primeira no nível explicativo, desse modo completando-a. Há dessa situação são um exemplo notável na Física, que é a coexistência da termodinâmica com a mecânica estatística, o qual abordaremos mais tarde com as possíveis ligações com a farmacodinâmica homeopática.

E momento, cabe-nos um plano para analisar a prodigiosa complexidade do pensamento científico moderno à luz do que Bachelard (7)sintetiza como a filosofia do novo espírito científico e a filosofia do não, tentarei pois, fazer pontes de ligações epistemológicas que ressuscitem a episteme da homeopatia de Hahnemann, dentro de uma nova ordem do conhecimento humano ou seja a integralização do pensar ou o pensamento integral do novo espírito científico.

(5)(6)POPPER, Karl Raimund: -“A Lógica da pesquisa científica”. São Paulo, Ed. Cultrix.1989, 567, 139

(7)BACHELARD, Gaston A Filosofia do Não“O Novo Espirito Científico” e

“A Poetica do Espaço Anil Cultural, 1974


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