A Homeopatia frente a Epistemologia II – CAPÍTULO III

A HOMEOPATIA COMO CIÊNCIA DO “NÃO-SUBSTANCIALISMO”: O PRÓDROMO DE UMA QUÍMICA “NÃO-LAVOISIANA”

RÓTULO III – A HOMEOPATIA COMO CIÊNCIA DO “NÃO SUBSTANCIALISMO”: O PRODROMO DE UMA QUÍMICA “NÃO-LAVOISIANA”

“Nós não pensamos ainda de forma assaz decisiva a essência do agir. Nós não conhecemos o agir qual como a producão feito onde a realidade é aprecidada segundo a utilidade que ela oferece. Mas a essência do agir é realizar.” Martin HEIDEGGER, Lettre sur l’humanisme.

I- O PRODROMO DE UMA QUÍMICA “NÃO-LAVOISIANA”

Pretendo aqui, neste capítulo, oferecer uma projeção do desenvolvimento para a Homeopatia do futuro dentro do novo espírito científico de Gaston Bachelard. Para isto, necessário uma investida no seu pensamento quanto a sua interpretação do que chamou de não-substancialismo, base teórica para inserirmos a doutrina homeopática como a ciência médica interativa energética entre diversos sistemas biológicos, estabelecendo maior objetividade epistêmica, no que Bachelard (1) chamou de pródromo de uma química não lavoisiana.

A noção de dinamização da substância química havia sido deixado de lado pela química lavoisiana do passado, este aspecto fundamental do fenômeno químico e na assim comprometido numa fenomenologia particular. Tanto que Hahnemann (2) já criticava esta posição colocando que “dessa forma, foram desperdiçadas grandes somas de dinheiro com a destruição de plantas, antes de se perceber que não era possível extrair dos vegetais suas partes componentes mais importantes, usando-se o tratamento pelo fogo e muito menos se concluir quanto ao poder curativo dos mesmos.” Esta fenomenologia devia certamente ser estudada em primeiro lugar. Mas como não ocorreu, continua ainda Hahnemann, “essa insensatez, perpetrada com variações por quase meio século, produziu gradualmente uma impressão desfavorável nas mentes dos médicos modernos que, naquele período, tinham se informado mais sobre a arte química e seus limites, de tal modo que atualmente adotam com quase unanimidade uma opinião contrária, negando todo o valor à Química na busca do poder medicinal das drogas e na descoberta dos agentes remediais para as doenças a que a humanidade está sujeita”. Ela deve agora ser englobada na fenomenologia mais geral e consequentemente numa química não-lavoisiana segundo Bachelard.

Ele faz uma interpretação racional da Química Moderna colocando-a essencialmente substancialista designando as substâncias através de uma frase explicativa como o faz o realismo ingênuo. Mas a medida que cresce o realismo, o pluralismo se esclarece: A filosofia química que era complicada e fragmentada com quatro elementos, torna-se simples e unitária com noventa e dois elementos! Com efeito o princípio das investigações que nasceram da organização das substâncias elementares de Mendeléiev, verifica-se que a pouco a pouco a lei antecede o fato, que a ordem das substância se impõe como uma racionalidade. Que melhor prova se pode dar ao caráter racional de uma ciência das substâncias que consegue prever antes da descoberta efetiva, as prioridades de uma substância ainda desconhecida? O poder agonizante do quadro de Mendeléiev é tal que o químico concebe a substância no seu aspecto formal antes de a captar nos seus aspectos materiais.

O gênero impõe-se à espécie no dizer de Bachelard. Não é menos verdade que com o quadro de Mendeléiev, nasceu uma meta química e que a tendência ordenadora e racionalizante conduziu a sucessos cada vez numerosos e cada vez mais profundos. Uma doutrina que se apoia numa sistematização interna provoca a ocasião, constrói aquilo que não lhe é dado, completa e acaba heroicamente uma experiência desarticulada. Foi esta inspiração que a química trabalhou: também ela conheceu a cadeia antes dos elos, a série antes dos corpos, a ordem antes dos objetos. As substâncias foram como que depositadas pelo impulso do método. São concreções de circunstâncias escolhidas na aplicação de uma lei geral. O real não é mais do que realização. Parece até que um real só é instrutivo e seguro se tiver sido realizado sobretudo se tiver sido recolocado na sua ordem de criação progressiva, conclui ele pois, que o princípio da investigação das substâncias está sob a dependência absoluta ta de uma ciência dos princípios, de uma doutrina das normas metódicas, de um plano coordenado em que o desconhecido deixa um vazio tão claro que a forma do conhecimento já está nele prefigurado.

E paralelamente à química, a homeopatia nascia sob o princípio da similitude através de investigações das substâncias elementares vinculado à dependência absoluta da experimentação no homem são, construindo uma ciência da cura em uma doutrina semiológica de normas metódicas, de um plano coordenado de saúde por uma força vital imaterial em que o desconhecido em desarmonia deixa transparecer a doença de forma secundária a um vazio tão claro, que a forma do conhecimento de curar já está nele prefigurado e terminado na especificidade do “como adoecer”.

Ao explicar a natureza química de um elemento através de uma organização de corpúsculos elétricos, a ciência contemporânea estabeleceu uma nova ruptura epistemológica. Para apoiar a química constituiu-se uma espécie de não-química. E, segundo o autor, a fenomenologia elétrica não foi deste modo colocada sob a fenomenologia química. No átomo, as leis da fenomenologia elétrica estão, também elas, desviadas, dialetizadas. De tal forma que acaba de surgir uma eletricidade não-maxwelliana para construir uma doutrina da substância química não kantiana. Ao dizer numa frase predicativa: “a matéria é no seu fundo, elétrica”; exprime-se muito mal as descobertas modernas esta forma relativista menospreza a importância da física inteira da substância.

Ao explicar a natureza dinâmica de um medicamento através da organização de energia vital, a arte de curar estabeleceu também uma ruptura epistemológica diante da medicina patológica nascente. Para apoiar a medicina reconstruiu-se a “physis hipocrática” no Ser de Parmênides e para Hahnemann a fenomenologia da força vital não se adaptava sob o modelo de medicina da época, que concentrava somente no efeito da desarmonia da energia vital, a doença, esqueceu-se do universo do indivíduo, do paciente para se concentrar somente no efeito da doença, descompondo o sujeito da ação do adoecer individualmente para centrar-se no efeito do desequilíbrio vital.

Outras experiências científicas podem mostrar que a Física contemporânea consegue trabalhar sob a qualidade química invertendo a ordem epistemológica fixada por Augusto Comte. Assinala este declínio substancialista da antiga filosofia química apoiando-se no seguinte exemplo: “a nova física das altas pressões mostra claramente que muitas das antigas características das substâncias são apenas funções acidentais da pressão e da temperatura”. A alta pressão podem realizar-se reações que a Química do primeiro exame não admitiria.

Pelo simples fato de se poderem pensar os fenômenos químicos da substância, fixando uma subestrutura geométrica ou elétrica, ou estatística, parece que os valores numerais se tornam evidentes a ordem tradicional da experiência realista é invertida. O número guia a investigação e a determinação precisa de substância. O número explica o fenômeno contradizendo-o. Pode explicar-se o fenômeno com leis numenais que não são leis do fenômeno. Qualquer substância química é pensada como conjunto de regras que presidem à sua purificação. Assim como qualquer substância da matéria médica homeopática será pensada como um conjunto de regras sociológicas a repertoriais presidem á individualização medicamentosa para o conhecimento da forma com que aquele paciente enquanto individualidade adoесе.

Onde encontraremos nós os fatos que, no entender de Bachelard prefigura o aspecto não-lavoisiano da Química generalizada? E na noção de dinamização da substância química. Ao estudar mais de perto essa dinamização, vamos ver que a química lavoisiana do século passado havia deixado de lado um aspecto fundamental do fenômeno químico e que se tinha comprometido numa fenomenologia particular. Esta fenomenologia devia certamente ser estuda da em primeiro lugar. Ela deve agora ser englobada numa fenomenologia mais geral e consequentemente numa química não-lavoisiana. Está sempre subentendido que uma química não-lavoisiana, com todas as atividades científicas da filosofia do não, não despreza a utilidade passada e atual da química mais geral, uma panquímica, tal como a pangeometria tende a fornecer o plano de todas as possibilidades de organização geométrica, gostava como exemplo de uma matéria estável e bem definida, só interessa verdadeiramente ao químico se ele fizer reagir com outra matéria. Como analogamente a substância ou medicamento dinamizado que o médico homeopata procura como o exemplo de uma terapêutica eficiente, só lhe interessará aquela que ele administre dinamicamente e promova o mais rápida e durável harmonização da energia vital. Ora, se fazem reagir substâncias e se pretende extrair da experiência o máximo da instrução, não é a reação que se deve considerar? Por detrás do ser desenha-se imediatamente um devir. E por detrás do desequilíbrio da força vital codifica-se o modo de adoecer.

Ora este devir, não é um unitário, nem continuo, apresenta-se como uma espécie de diálogo entre a matéria e a energia. As trocas energéticas determinam modificações materiais e as modificações materiais condicionam trocas energéticas. E é aqui que vemos aparecer o tema novo da dinamização, verdadeiramente essencial da substância, substância e energia é parte integrante da substância; substância e energia são igualmente ser. A antiga filosofia química que dava uma primazia à noção de substância, que atribuía à substância, como qualidades transitivas, a energia cinética, a energia potencial, o calor latente…, media mal a realidade.

A energia é tão real quanto a substância e a substância não é mais real que a energia. Por intermédio da energia, o tempo coloca na substância a sua marca. A antiga concepção de uma substância por definição fora do tempo não pode manter-se.

Torna-se mais claro, que o complexo matéria-energia já não pode ser pensado em termos de simples categoria da substância, dizendo que uma substância contém energia. O Kantismo deixou desarticulado o emprego das categorias. Os matemáticos ensinam-nos a totalizar as formas de espa ço-tempo. A fotoquímica, com o espectroscopio, surge como uma química não-lavoisiana, Filosóficamente, ela contraria o princípio da simplicidade e da estabilidade das substâncias as elementares. A fotoquímica habitua-nos a conceber dois grandes tipos de existência. Estes tipos de existência são de certo modo inversos. Ao passo que a substância lavoisiana se apresenta como uma existência permanente, desenhado no espaço, o radiamento, entidade no-lavoitiasa, apresentava-se como uma existência essencialmente temporal, como uma frequência, como uma estrutura do tempo. Podemos mesmo perguntar-nos se esta energia estruturada,vibrante, função de um número de tempo, não bastará para definir a existência da substância. Nesta expectativa, a substância não seria mais que um sistema multiressonânte. do que um grupo de ressonâncias, do que uma espécie de aglomeração de ritmos que poderia absorver e emitir determinadas gamas de radiações. Nesta via poderemos prever um estudo estritamente temporal das substâncias que seriam um complemento do estudo estrutural. A porta esta aberta para todas as aventuras e só o filosofo pode assumir o direito de propor tais aventuras ao espirito cientifico.

De uma forma mais precisa, devido a esta nova dialética que se apresenta no campo da representação, pode iremos fazer intervir o principio da indeterminação que se repercute em toda a ciência contemporânea. O principio da indeterminação intervirá aqui entre as condições físicas e as condições químicas, entre as determinações exteriores da Física e as determinadas interiores da Química. Com efeito as condições vizinhas, nas quais o cientista pode estudar as propriedades de uma substância, engrena-se, formam verdeiros grãos de indeterminação. Correlativamente, para seguir a inspiração da ciência heisenberguiana, é pois necessário supor um grão de indeterminação substancial. Para Henri Poincaré (4), em Science et méthode, editado em 1908 analisa o problema da impreditibilidade, mas de maneira não técnica, criador da teoria dos sistemas dinâmicos, observa que o acaso e o determinismo se tornam compatíveis mediante a impreditibilidade a longo prazo. Em seu estilo claro e conciso, exprime: “Uma causa muito pequena, que nos escapa, determina um efeito considerável que não podemos deixar de ver, e então dizemos que este efeito se deve ao acaso.” De acordo ainda com as idéias de Edward Lorenz, a meteorologia lucrou muito com a noção de dependência hipersensível das condições iniciais de fato, segundo Lorenz, o bater de asas de uma borboleta, depois de certo tempo, terá como efeito mudar completamente o estado da atmosfera terrestre ( é o que chamou de “efeito borboleta”). Dessa idéia somos levados ao conceito de dependência ultra sensível ás condições iniciais, e que nos abre as portas aos mais recentes desenvolvimentos da teoria do caos (4).

A determinação da substância é obtida por uma espécie de indução que agrupa sínteses múltiplas. O devir químico foi durante muito tempo desprezado pela Química Clássica. A atenção concentrou-se nas substâncias, quer dizer, no ponto de partida e no ponto de chegada das trajetórias químicas. Apenas se conhecem as substâncias suficientemente estáveis para serem representadas por pontos de saída e pontos de chegada. Mesmo assim, a cinética das reações impõe-se progressivamente à atenção dos químicos, mas o número de tipos cinéticos estudados continua a ser reduzido.

Paul Renaud, no dizer de Bachelard (5) quereria multiplicar estes estudos, ele quereria sobretudo precisar a noção de operação, a noção de quantidade de operação, de quantidade de transformação.

No que se refere à primeira tarefa, convém sublinhar uma inversão do simples e do complexo que se realiza quando se passa do plano das substâncias ao plano das operações. Uma substância cristalina, portanto simples, é o objeto de operações difíceis de precisar. Pelo contrário, uma substância amorfa, portanto complexa é muitas vezes o objeto de operações claras. E para fazer compreender este paradoxo, Paul Renaud, apela para a química biológica. Se a química biológica é complicada do ponto de vista das Substâncias, ela esclarece-se e simplifica-se do ponto de vista das operações. Um órgão vivo realiza a operação clara que lhe é atribuída. Em condições materiais variáveis entre limites muito afastados, a química biológica preserva as suas unidades operatórias.

Notemos de passagem a importância que assumiram as ideias de Paul Renaud se puderem unir-se à teoria bergssoniana da oposição da matéria e do impulso vital. A teoria de Paul Renaud permitiria encurtar a escala demasia do grande da visão bergssoniana, reduzir a oposição demasiado crua entre a matéria e as funções do impulso.

Seria necessário encontrar a quantidade de operação que faz com que uma operação se transforme noutra. Gaston Bachelard (6) pergunta se o estudo das metamorfoses em biologia não nos fornece meios para preparar esta quantificação. E acrescentaríamos ainda, se o estudo da moderna embriologia não nos revelou um campo unificado do ou um modelo organizador biológico que integrasse as diversas operações que resultaria na estética da forma? Em todo o caso eis quais são no entender de Bachelard, os dois pólos da filosofia química alargada: a substância pura não tem operação, a operação pura não tem substância. Os dois polos são naturalmente imaginários, tão imaginários quanto o ponto material e a onda luminosa; enquadram a realidade constituída por uma mistura de substância e de operação, por uma união do espaço e do tempo, entre estes dois polos poder-se-á sempre fazer intervir princípio de Paul Renaud que afirma o caráter complementar das determinações substanciais e das determinações operatórias. A descontinuidade entre as substâncias deve regular a descontinuidade entre as propriedades, o que é o mesmo que dizer entre as suas operações. De qualquer modo, o ponto de vista operatório de Paul Renaud apresenta-nos uma nova inversão da complexidade, tal como Augusto Comte havia concebido conclui Bachelard (7).

Numa determinada perspectiva, na perspectiva operacional, a biologia é mais simples do que a química; a vida é um conjunto de operações particularmente claras. Estas operações são mais difíceis de deformar do que as da matéria inerte. O novo corpo, mistura as massas amorfas em proporções muito variáveis, é, diz Paul Renaud “uma integral de operações relativamente bem definidas”. Referida às suas próprias leis operacionais, a química biológica torna-se mais clara. Ela é bem mais obscura quando se pretende abordá-la com idéias simples extraídas do estudo da química material.Entre as duas ciências procurou-se uma continuidade, quando o que existia era uma complementaridade deste modo, o problema da unidade da ciência foi mal coloca do. Impôs-se um tipo de síntese uniforme sem se pensar nos diversos princípios de composição fenomenal. Em particular, relativamente às substâncias, valorizaram-se as condições de estabilidade, pensou-se que as condições de estruturas decidiam tudo, imaginado certamente que se manda no tempo quando se está bem organizado no espaço(7). Todo o aspecto temporal dos fenômenos químicos foi negligenciado. Não se reparou que o tempo é ele próprio estruturado (7) não se estudaram os comportamentos, os desenvolvimentos, as operações, as transformações… Nesta via existem pois novos conhecimentos a adquirir.

A inversão epistemológica proposta por Paul Renaud pode pois ser o sintoma de uma dialética profunda.Ela esboça a partir de agora um aspecto novo do novo espírito científico que possibilitará fazermos o “religare” epistemológico da clínica homeopática à ciência médica da biotecnologia atual, sem descaracterizar a ciência do Ser de Parmenides.

Verificamos o desabrochar do não-substancialismo nas operações das substâncias compostas.

Recentes trabalhos de Louis Destouches sobre a noção de electrão pesado vamos ver estabelecer-se um pluralismo coerente da noção de massa uma vitória do racionalismo sobre o realismo. O pluralismo coerente dos estados mássicos, é um exemplo claro da epistemologia não cartesiana. Em cada uma das suas propriedades, todo o elemento é polivalente. Um elemento não é portanto um conjunto de propriedades diferentes como pretende a intuição substancialista comum. É uma coleção de estados possíveis para uma propriedade particular. Um elemento não é uma heterogeneidade condensada. É uma homogeneidade dispersa.

Na nova filosofia das ciências é preciso compreender que a atribuição de uma qualidade a uma substância é de ordem normativa. A atribuição fixa possibilidades coerentes. O real é sempre um objeto de demonstração(8).

(1) (5) (6) (7)(8) BACHELARD, Gaston:- “A Filosofia do Não”. Abril Cultural, 1974.

(2) HAHNEMANN, S.: “Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicinais, seguido por algumas apreciações so- bre os princípios admitidos até hoje.” Revista de Homeopatia, APH, vol. 59, n°s 3-4, 1994

(3) (Korzybski, Science and Sanity, New York, pag. 543). Cit in Bachelard, Gaston: “A Filosofia do Não”. Abril Cultura. 1974.

(4) POINCARÉ, H. “Invention mathematique”, cap. 3 de Science a méthode, Paris Enest Flammarion, 1908 in David Ruelle, Acaso E Caos, 2’ed.cd Unesp, 1993.

II – A FÍSICA QUÂNTICA, A TERMODINÂMICA O ELETROMAGNETISMO E A HOMEOPATIA:

A CIÊNCIA DO NÃO-SUBSTANCIALISMO

A busca de um mecanismo de ação das altas diluições envolve uma abordagem de ordem física que intervém no solvente através da dinamização, bem como as de ordem molecular que possa justificar a especificidade da ação dos medicamentos dinamizados, como de ordem biológica na interação farmacodinâmica entre o medicamento e o receptor biológico, além das de ordem clínica, com os ensaios efetuados com duplo cego contra placebo.

Vários modelos de pesquisa tem sido desenvolvidos partir desta visão fisico-molecular, biológica ou clínica mas nenhum desses modelos pôde abarcar todos os mecanismos integrados destas diversas áreas num mesmo modelo que explique a complexa interação entre fenômeno biológico e fármaco dinamizado em alta diluição. Foi pensando, pois, num modelo que integrasse diversas abordagens de áreas diferentes, que resolvemos desenvolver um modelo global, que executado na área da genética, viesse dar uma contribuição na explicação da ação das altas diluições. Esta área mostra se um campo inédito capaz de integrar muitas outras áreas do conhecimento científico atual, desde a física até a clínica, passando pela bioquímica molecular e a biotecnologia, integrando campos dinâmicos do conhecimento humano numa única área definida pelo campo da ciência do não- substancialismo.

Algumas das principais revistas científicas tem demonstrado um interesse ímpar com relação a Homeopatia e as suas aplicações terapêuticas, principalmente após a publicação da pretensa “memória biológica da água” de J. Benveniste (DAVENAS et coll., 1988) (9), tão refutada e ridicularizada pela crítica (Le Journal International de Médécine, 1989)(10), mas que foi um verdadeiro marco pela exposição da homeopatia e suas altas diluições dinamizadas frente a moderna crítica; onde pode-se observar um acentuado aumento da literatura cientifica sobre este assunto a partir desta data (REILLY, D.T. et coll. “, 1986; FERLEY, J.P. et coll 1, 1989; FISHER, P. et coll 13 1989…). Mas se quisermos avançar diante do novo paradigma posto, o caos, diante desta nova ciência, necessário ousar na aventura do novo espírito cientifico.

A Física quântica se estabelece como um campo do conhecimento, onde se aplica a solução ou início de explicação para o que se denominou memória biológica da água mas ao colar uma teoria matemática a um pedaço da realidade, obtemos uma teoria física. Existe um grande número de tais teorias, abarcando diversas categorias de fenômenos. Geralmente, até para explicar um dado fenômeno dispomos de várias teorias diferentes. E para explicar um fenômeno como a vida necessário se fez na colocação de Schröndinger através de seus trabalhos postboltzmanniens de física estatística, o domínio do tempo pelo espírito constituiu o cerne de toda sua concepção ética.

Dentro pois, de uma concepção de campo unificado onde a termodinâmica aplicada ao princípio de incerteza, projeta no futuro a possibilidade de prever eventos com retitude, ou mensagens biológicas que se estruturaram a partir da água, de forma filogenética constituindo uma memória biológica que induz respostas biológicas.

Se a memória biológica da água advém de um processo de diluição contínua de uma determinada substância, o interessante seria começar o estudo através de simulações tipo Monte-Carlo da variação da concentração dessa substância em função do aumento da concentração do solvente (que pode ser água), dentro da Termodinâmica. Neste caso, obtém-se o estudo da variação da entropia e suas possíveis consequências. No funcional da entropia, entra também a variação da energia interna do sistema, que também pode calculada em paralelo. O estudo da energia interna deste sistema leva a informações sobre a natureza microscópica do objeto a ser estudado, que é um dos objetivos a ser atingido e, está intimamente ligada com a natureza quântica do problema.

TERMODINAMICA dE=-pdV+TdS,+ onde é o potencial químico e N é o número de partículas 1 é solvente, 2 é o soluto,

Princípio da Incerteza:

* X, p h/2 » •E•1•h/2• .= tempo!!!!! (2)

x = posição

p=m.v…momento

(v=velocidade,m=massa)

E = energia

A possível unificação de campos está em unir a mecânica estatística quântica, termodinâmica, e o electromagnetismo que envolve a natureza das forças intermoleculares).

(9) DAVENAS, E.; BEAUVAIS, F; AMARA, J.; OBERBAUM, M.; ROBINZON, B.; MIADONNA, A.; TEDESCHI, A.; POMERANZ, B.; FORTNER, P.; BELON,P.: SAINTE-LAUDY, J.;POITEVIN, B.; BENVENISTE, J. – Human basophil degranulation triggered by very dilute antiserum against IgE. Nature, 1988, 333:816-818.

(10) JIM: – L’homéopathie a la recherche d’une preuve, Le Journal International de Médécine, Supplément, n° 136, septembre, 1989,pp 3.

(11) REILLY, D.S. et coll.: “Is homeopathy a placebo response? Controlled trial of homeopathic potency, with pollen in hayfever as model”. Lancet, 1980; :881-886.

(12) PERLEY, J.P. et coll.: “A controlled evaluation of a homeopathic preparation of Influenza-like syndromes”. Br. J. Clin. Pharmacol. 1989; 27: 329-335.

(13) PISHER, P. et coll.: Effect of homeopathic treatment on fibrositis (prilly fibromyalgia). B.M.J., 1989; 6695, 299, 05.08.89.

III – O MODELO ORGANIZADOR BIOLÓGICO: A “PHYSIS” COMO PRINCÍPIO FENOMENOLÓGICO DO SER RACIONAL VITAL EVOLUTIVO RACIONAL

Entre o sonho ordinário e o sonho analógico de Bachelard (13) perdura a realidade do Ser de Parmênides, que extrapola a história do conhecimento humano e suas teori para persistir naquilo que é e sempre foi a “Physis” de Hipócrates.

Se a “teoria que se realiza parcialmente deve realizar totalmente”(14) e se a “razão é uma atividade autônoma a completar-de”(14), sendo que o “elemento é complexo”(13), a lógica deve transcender-se de si mesma quando executar a evolução da ideia de massa integrando-a à ideia de energia num modelo organizador biológico transcendente espiritual que evolui no planeta Terra.

A necessidade de uma teoria que reintegra o pensamento cartesiano e o pensamento intuitivo ou primitivo, passa-se pela aproximação entre mente como conceito científico co atual e a “physis” como conceito primitivo daquilo que é, mas com uma formação epistemológica daquilo que evoluiu para o estar sendo ou em vias de formação, como é o pensamento do novo espírito científico.

Esta globalização ou universalização dos princípios como necessidade básica de se atingir uma liberdade maior no pensar humano, esta essência do pensar e sua reintegração de valores, (restruturação, o de valores arcaicos estáticos en valores dinâmicos evolutivos) através de uma visão hipocrática da natureza expressa nesta universalidade e individualidade, na principalidade, na harmonia, na racionalidade e na divindade reintegrando em conceitos fenomenológicos ao espírito racional para dar aparição ao sujeito (ou à mente) nas formas acabadas das categorias do Entendimento, no tempo e no espaço, no “aqui” e no “agora” da certeza sensível, aparição que mostra a dissolução da verdade do objeto na certeza com que o sujeito procura fixá-la.

E a partir daí, o movimento dialético da Fenomenologia prossegue como aprofundamento dessa situação histórico-dialética de um sujeito que é fenômeno para si mesmo no próprio ato em que constrói o saber de um objeto aparece no horizonte de suas experiências para estar sendo ou existindo. Por isso, Hegel (15) transfere para o próprio coração do sujeito – para o seu saber – a condição de fenômeno que Kant cingira à esfera do objeto. Pode ser apresentada como processo de “formação” do sujeito para a ciência, que formará a cultura do Ocidente.

Para Hipócrates (16) a “physis” é o princípio radical, a substância primigenia, original e fundamental da realidade visível e invisível, a fonte inesgotável de todas as coisas; portanto, “o divino”, porque para as antigas religiões politeístas, ser divino significa ser imortal, com uma imortalidade que se deriva de um inesgotável caudal de vitalidade” (Zubiri).

Vemos ainda no Bhagavad Gita que a Essência Cósmica, que é a Consciência Vital pela qual todo esse Universo visível é sustentado…, “é a essência de tudo que existe, eu sou o princípio dos mundos e sou o seu fim.”

A visão hipocrática da natureza (“physis”) se pressa no seguinte (16):

1- Universalidade e individualidade. Todas as coisas tem sua “physis” própria: os astros, as partes do mundo, os ventos, as águas, os alimentos, os medicamentos, o homem enquanto tal – a “physis” humana, o corpo, a alma, as distintas partes do corpo, cada um dos indivíduos humanos, os diversos modos típicos de ser homem, as enfermidades, os animais. Todas as coisas por outra parte, compõe, juntando-se entre si, a “physis” universal, a Natureza

2-Principalidade. A physis” é o principio”, não só de tudo que há, sim de cada uma das coisas que existem ” Não é possível conhecer a natureza das enfermidades objeto dos descobrimentos da arte, se não se conhece a Natureza em sua divisão, segundo o princípio deste o qual ela se diferencia”. Principio da realidade e, como consequência, princípio do conhecimento: “a physis do corpo é o princípio da razão em medicina”, se afirma em “Sobre os lugares do homem” (VI,278).

3- Harmonia. Em sua aparência e sua dinâmica, a physis é harmoniosa: tem harmonia e a produz.

4- Racionalidade. A Natureza é em si mesma “razoável”, possui em seu seio um secreto “logos”. Por isto pode haver uma” physiologia”, uma ciência a qual é o “logos” do homem, a razão humana, diz retamente o “logos” da Natureza e descobre o que há nela de racional.

5- Divindade. A physis’ é em si mesma “o divino”. “A divina força” da Natureza que se manifesta por seus movimentos. Quando o autor de “Ares, águas e lugares” afirma que nenhuma enfermidade é mais divina ou mais humana que as demais, porque todas são semelhantes entre si e todas são divinas (II, 76), o que quer dizer que todas as enfermidades são igualmente divinas, porque a realidade de todas elas consiste em uma desordem da “physis”(11,80). O caráter divino da “physis” manifesta-se principalmente no que nela – em seus movimentos- é necessidade inexorável, superior a todas as possibilidades do homem: essa força da Natureza” pelo qual acolhe tanto o ser que quer como o que não se quer, segundo a vigorosa expressão tantas enfermidades, acontecem por necessidade forçosa, e frente a ela nada poderia a arte do homem. A medicina, em suma, é a arte de dominar o que Natureza é o azar, quando este se manifesta na forma de enfermidade. Por isso autor de “Sobre a arte” pode decidir que para o bom médico o azar não existe.

Mas se o azar não existe como entender a Natureza do adoecer do ser, sem antes entender a formação do seu estado de saúde que evoluiu dentro de um modelo organizador filogenético e biológico transcendente? E no afirmar de Hahnemann, “no estado de saúde do indivíduo reina, de modo absoluto, a força vital de tipo não material (Autocratie) que anima o corpo material (organismo) como “Dynamis”, mantendo todas as suas partes em processo vital admiravelmente harmônico nas suas sensações e funções, de maneira que nosso espírito racional habita. possa servir-se livremente deste instrumento vivo e sadio para o mais elevado objetivo de nossa existência.”

Definido o estado de saúde urge a construção de um modelo organizador filogenético biológico que a partir da “Physis” como princípio fenomenológico do ser vital e evolutivo racional integre-se num pensar contínuo ao novo espírito científico social e espiritual.

(14) BACHELARD, Gaston:- “A Filosofia do Não”. Abril Cultural, 1974.

(15) HEGEL, G.W.F Fenomenologia do Espírito, Petrópolis, RJ,Editora Vozes, 1992

(16) ENTRALGO, Pedro Lain. Historia Universal de la Medicina, 1° ed., Barcelona, 1972, Salvat Editores, vol 2.

IV – O SIGNIFICADO DA VIDA: A ENERGIA VITAL

1. A Energia Vital

Sabemos que a vida é inseparável de quatro processos fundamentais: metabolismo, compartimentação, memória e manipulação, mas a vida se define pelas leis originais que lhe permitem de se apropriar da física e da química e de lhes transformar aos seus próprios fins. Claude Bernard, em 1878, quis explicar a vida em termos físico-químicos através de fenômenos de criação vital ou de síntese orgânica e fenômenos de morte ou de destruição orgânica. Enfatiza a questão de que toda manifestação de um fenômeno dentro do ser vivo é necessariamente ligada a uma destruição orgânica, e de forma paradoxal “A vida é a morte” conclui ele (17).

2. A Hereditariedade

A primeira vista – e nós devemos a Aristóteles, que fascinado pela dualidade substância/forma, de ter insistido sobre este ponto, o que se transmite nos seres vivos é sua morfologia. E é fácil de compreender que as primeiras teorias da hereditariedade teriam imaginado um engarrafamento sucessivo de formas idênticas, mas de canais diferentes, que resultasse na quantidade de seres vivos, esta visão, fundada sobre a percepção macroscópica direta, e que retém dos seres vivos senão o resultado organizado globalmente, sem imaginar que foram surgindo, a cada geração, colocados num processo de construção, montado rapidamente de forma paradoxal.

A criação de fronteiras do tipo da membrana celular é uma das características próprias da vida, e são pelas diferentes estratégias evolutivas empregadas pelos seres vivos no curso do tempo, que estão marcadas pela forma particular de se utilizar das membranas. Mas existiriam leis, de maneira notável, que expressem todo ou parte do fenômeno do ser vivo? Talvez o código genético, a organização hierárquica e o fechamento clínico possam esclarecer, já que duas regras particulares da vida podem ser colocadas em evidência: a primeira – a harmonia que pode ser qualificada de estética; a segunda -a hierárquica, que é ligada da maneira como é organizado o ser vivo chamada de estabilidade. Assim uma parte importante da integridade dos organismos adultos poderão ter sua origem aprimorada dentro de uma organização hierárquica. Mas o que mantém o ciclo vital harmonicamente e de forma permanente senão a própria força vital que envolve todas as coisas com sua “physis” própria: os astros, as partes do mundo, os ventos, as águas, os alimentos, os medicamentos, o homem enquanto tal – a “physis corpo, a alma, as distintas partes do corpo, cada um dos indivíduos humanos, os diversos modos típicos de homem, as enfermidades, os animais, todas as coisas, outra parte, compõe, juntando-se entre si, a “physis” universal, a Natureza na concepção hipocrática.

(17) W BERNARD, Claude “Lecons sur les phénoménes de la vie communs aux animaux végétaux, 1878 oitado por Antoine Danchin- Une aurore de pierres. Aux ongines de la vie; Editions Du Seuil, septembre, Paris, 1990,

V – EFEITO PARADOXAL DO MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO OU DA TEORIA ELETRODINAMICA INDUTIVA HOMEOPÁTICA

O confronto entre o método científico atual e a lógica da clínica homeopática resistiu a uma história de praticamente dois séculos (18), para somente agora, quando a física quântica checa a ciência frente a infinitos paradigmas como um impasse a enfrentar, vemos neste confronto apenas uma síntese que possibilitará transcender à vivência do novo es espírito científico.

Como pois, desenvolver um modelo sintético de pesquisa científica que pudesse unir o rigor científico à sabedoria da técnica das diluições infinitesimais? Como num único modelo poderíamos restituir a unidade ao método?

Integrar a ciência clássica à arte da infinitesimalidade? Foi pensando neste problema que enxergamos no campo da genética essa grande possibilidade.

Mas qual o melhor método que vinculasse a unidade do método homeopático, uma unidade integrada na trilogia da experimentação no homem são, doses dinamizadas infinitesimais e lei da similitude, ao complexo método reducionista racionalista atual, sem que houvesse a descaracterização da unidade de conhecimento de um e da multiplicidade de outro? Havia, pois, este outro problema para se associar ao interior de forma que este modelo deveria responder concomitantemente a estes dois problemas postos.

1 – A Homeopatia no contexto da Farmacodinâmica

A busca de um mecanismo de ação das altas diluições envolve uma abordagem de ordem física que intervém no solvente através da dinamização, bem como as de ordem molecular que possa justificar a especificidade da ação dos medicamentos dinamizados, como de ordem biológica na interação farmacodinâmica entre o medicamento e o receptor biológico, além das de ordem clínica, com os ensaios efetuados com duplo cego contra placebo.

Vários modelos de pesquisa tem sido desenvolvidos a partir desta visão fisico-molecular, biológica ou clínicaca, mas nenhum desses modelos pôde abarcar todos os mecanismos integrados destas diversas áreas num mesmo modelo que explique a complexa interação entre fenômeno biológico e fármaco dinamizado em alta diluição. Foi pensando pois num modelo que integrasse diversas abordagens de áreas diferentes, que resolvemos desenvolver um modelo global (21), que executado na área da genética, viesse dar uma contribuição na explicação da ação das altas diluições. Esta área mostra se um campo inédito capaz de integrar muitas áreas do conhecimento científico atual, desde a física até a clínica, passando pela bioquímica molecular e a Biotecnologia, mas sempre se integrando e respeitando o método hahnemanniano.

Para exemplificar o que foi dito, necessário se fará, limitarmos nosso universo de observação. Por isso lanço mão do campo empírico da medicina, mais especificamente a Homeopatia e a farmacodinâmica ou ainda na relação dinâmica dose/efeito para justificar estas concepções e de lançar um método de dedução a partir da teoria eletrodinâmica indutiva homeopática que possibilite compreender a lógica clínica homeopática como responsável por uma integralização e unificação da lógica do conhecimento humano (22).

2-A Homeopatia no contexto da Bioquímica, da Fisiologia gia e da Genética

Carneiro-Leão (23) elaborou um modelo genético de ratos cujo comportamento em relação à ingesta de sal demostrou que é pelo menos em parte geneticamente dependentes, tendo uma linhagem que denominou de Natriofílicos e cujo consumo de solução 0,25M de NACL é significativa mente maior em relação aos ratos normais.

Tem se visto na clínica médica o uso terapêutico de NACL segundo as técnicas farmacológicas de preparação, preconizadas por Hahnemann (1833) e pela Farmacopéia Homeopática Brasileira (24), mas o estudo do tratamento de NACL (Natrum muriaticum, como é prescrito na receita médica), diluído e dinamizado em animais de laboratório, relacionando a terapêutica e a genética, sua influência sobre as sucções sobre o comportamento de ingestão de sódio, mostra como uma linha de trabalho promissor e de fundamental importância para esclarecer os mecanismos farmacodinâmica da ação do medicamento dinamizado.

Stearns (25), utilizando ratas experimentais que receberam dinamizações de NACL desde a 30x até a 1400x contra ratas controle que receberam somente água, durante dois anos com intervalos de 6 meses, notou que as ratas em prova perderam apetite, peso e força quando comparadas ao controle, ainda seu pêlo ficou opaco e desordenado, os olhos lacrimejantes e opacos, seu índice de reprodução diminuiu e suas crias nasceram pesando menos que a das ratas controle.

Quanto aos diversos mecanismos fisiológicos envolvidos direta ou indiretamente no controle do equilíbrio entre a ingesta e a excreção de água e eletrólitos, que determinam por sua vez, a homeostase hidreletrolítica do organismo: tem sido objeto de exaustivos estudos, desde Claude Bernard (25), que foi o primeiro a evidenciar a participação do Sistema Nervoso Central no Controle da excreção renal de água e eletrólitos, até nossos dias com as recentes publicações que provam o controle neuro hormonal do apetite pelo sal no rato.

Dada a complexidade dos mecanismos de controle do equilíbrio hidreletrolítico, geralmente os estudos se dividem nos que analisam os mecanismos de controle da ingestão e nos que analisam os mecanismos de controle da excreção.

Em relação ao controle de excreção de água e eletrólitos, além dos hormônios mineralocorticoides, do hormônio antidiurético (ADH) e da taxa de filtração glomerular (TFG), existem várias evidências que outros mecanismos podem estar envolvidos, como o Sistema Nervoso Central, ao se obter aumento da excreção de água e cloreto a lesão do assoalho do IV ventrículo e mais especificamente com Dos Reis (27) que evidenciou a participação de vias gabérgicas da área septal medial no controle da natriurese, caliurese, diurese e liberação de hormônio antidiurético.

Quanto aos mecanismos de controle de ingesta de têm-se evidenciado a importância de esteróides (aldosterona e testosterona) e peptídeos de origem cerebral (angiotensina II e taquicininas). Eles elevam ou suprimem o comportamento e produzem um engrandecimento de longa duração do apetite pelo sal.

A necessidade induzida do apetite pelo sal, que é conseqüência da deficiência do sódio, é elevada pela sinergia dentro do cérebro da angiotensina cerebral II e a aldosterona.

E um primeiro episódio de depleção de sódio produz uma elevação subsequente do apetite pelo sal, mas somente se esta primeira depleção for acompanhada pela ação da angiotensina II e a aldosterona.

A necessidade espontânea do apetite pelo sal, que ocorre logo quando o rato tem um balanço positivo do sal, é inerentemente alta no rato e é organizado no período perinatal pela testosterona aromatizada que diminui o apetite no macho. E ainda aumentada pelas primeiras ativações de angiotensina II e aldosterona. Tanto a necessidade induzida quanto a necessidade espontânea do apetite pelo sal são suprimidas pelas taquicininas intracerebral. Taquicininas não mamilar (eledoisina, physalaemus, Kas-sinina) são todas anti dipsogênica antinatriorexigenicas, mas amino senktide, andloga aN Nubstâncias taquicininas mamilares com afinidade eletiva pelo receptor Nk3, parece ser um agente seletivo antinatri-orexigênico, e que poderia se tomar uma terapia racional para o consumo excessivo de sal.

Como podemos ver, urge buscar uma integralização do conhecimento científico sobre estes dois mecanismos, tanto da excreção como da ingestão de sal, para possibilitar uma maior compreensão do sistema de homeostase hidreletrolítica, relacionando estes mecanismo neurônios integralizadores corticais do sistema límbico evidenciem uma correlação genético comportamental. Para isto, seria necessário um modelo que evidenciasse alterações comportamentais, geneticamente constituídas, para um grupo de ratos que tivesse alterado sua ingestão e excreção de sal frente a um grupo controle normal utilizando uma terapia racional contra o consumo excessivo de sal, como sugere Epstein (28).

O apetite pelo sal é um comportamento complexo determinado por múltiplos fatores desde o balanço de NA, substâncias humorais e estruturas do sistema nervoso cen tral, mas o aumento exagerado pela preferência do sal e pre dominantemente determinado geneticamente principalmen te em ratos espontaneamente hipertensos(29).

O modelo por nós desenvolvido inspirado(30) em Carneiro-Leão (1986) comprova o caráter de natriofilia adquirido geneticamente, onde o sal é ingerido em maior quantidade sinergicamente a água em menor quantidade. Demonstra ainda que, este caráter pode ser modificado através a utilização do próprio sal (NACL) diluído e dinamizado mediante as técnicas farmacológicas preconizadas por Hahnemann (1833) e editadas na Farmacopéia Homeopatia Brasileira (1977), obedecendo a um dos princípios básicos da Homeopatia, o “Princípio da Semelhança”.

Caberia, pois, adaptar o método homeopático em seu segundo princípio “o da experimentação no homem são”para um modelo de experimentação no rato são, como preconiza Hahnemann no Parágrafo 146: “… O emprego criterioso de agentes mórbidos artificiais (medicamentos) que foram experimentados em indivíduos sãos, para determinar-se sua ação pura, a fim de efetuar a cura homeopática dos males naturais.”, o que mostrou perfeitamente adaptável ao modelo experimental hahnemanniano, o modelo experimental de laboratório em ratos.

Estas alterações ocorreram de forma quantitativa e qualitativa em relação ao tempo de tratamento, O Cloreto de Sódio CH 30 promoveu, um aumento da ingestão de sal e água em ratos natriofílicos ao longo das sete semanas de tratamento, o que nos faz lembrar uma agravação homeopática, quando como bem enfatiza Hahnemann no parágrafo 161 do seu “Organon da Arte de Curar”: “…agravação homeopática, ou melhor, a ação primária do medicamento homeopático que parece aumentar um pouco os sintomas da moléstia original..”, se entendermos que a natriofilia fosse a moléstia original constituída geneticamente.

Ratos natriofílicos consomem mais sal na 4a e 6a semana e mais água na 1a, 5a e 7a semanas, o que condiciona a ação do cloreto de sódio CH 30 ao longo do tempo e provavelmente ao número de estímulos que alteraria de alguma forma o balanço de NA modificando a sua ingestão.

Cabe ressaltar a ação de cloreto de sódio CH 30 em ratos normais, que os condiciona a ingerir água em menor quantidade quando se compara à fase pré-tratamento o que não se observou em relação aos ratos natriofílicos. Mas quando utilizamos o placebo de água CH 30, estes passam a consumir menos água em relação ao periodo pré-tratamento seja cloreto de sódio CH 30 e placebo d’água CH 30 promovem a mesma ação de diminuir a ingestão de água em ratos, sendo que em ratos normais o que age é o cloreto de sódio CH 30, e em ratos natriofílicos, o que promove a ação é o placebo de água CH 30, podemos chamar de efeito paradoxal do medicamento ou integração ação / efeito que condiciona à diminuição da ingestão de água.

Alterações no transporte de íons associados à hipertensão têm sido encontrados numa variedade de órgãos. E como bem mostrou MIERSON et. col. (1966) que a atenuação da corrente de curto-circuito do transporte de íons do epitélio lingual em animais hipertensos pode ser um fator de aumento da preferência do sal quando se compara ratos espontaneamente hipertensos com ratos Wistar-Kyoto. Não estaria este efeito paradoxal do medicamento ou integração ação / efeito vinculado à algum mecanismo de alterações no transporte de íons?

(18) DANTAS, F. – Lógica clínica homeopática. Histórico, conceito e aplicações. Revista da Homeopatia APH. Vol. 56, n°s.1-2-3-4, São Paulo, 1991.

(19) RIBEIRO, Wagner Deocleciano – Ação de Cloreto de Sódio CH 30 na ingestão de sal e água e na Natriurese de ratos Natriofílicos: um estudo cego randomizado placebo controlado. Dissertação apresentada a Coordenação do Curso de Especialização em Homeopatia-Formação de Docentes e Pesquisa da Universidade Federal de Uberlândia, para obtenção de título de Docente e Pesquisador em Homeopatia.

(20) DEMANGEAT, J.L.; DEMANGEAT,C.; GRIES,P.:POITEVIN, B.; CONSTANTINESCO, A.:- Modifications des temps de relaxation RMN à 4 MHz des protons du solvant dans les très hautes dilutions salines de silice/lactose. Homéopathie française 1992; n° 3: 14-22.

(21) RIBEIRO, Wagner Deocleciano – Ação de Cloreto de Sódio CH 30 na ingestão de sal e água e na Natriurese de ratos Natriofílicos: um estudo cego randomizado placebo controlado. Dissertação apresentada a Coordenação do III Curso de Especialização em Homeopatia-Formação de Docentes e Pesquisa dores da Universidade Federal de Uberlândia, para obtenção de título de Docente e Pesquisador em Homeopatia.

(22) Werne, G.,1947, lei básica da farmacodinâmica – “Beitrag zur mathematischen Behandlung pharmakologischer Fragen”, S. B. Akad. Wiss. Wien., Math. Nat. Kl. 156 (1947) 457-467.

(23) CARNEIRO-LEÃO, Controle Genético do Apetite do Sal. Federação das Sociedades de Biologia Experimental. São Paulo, Brasil – julho 5-9, 1986.

(24) FARMACOPÉIA HOMEOPÁTICA BRASILEIRA, Decreto n° 78841 de 25 XI 1976 1′ Ed.; Org. Andrei Edit. S.A., São Paulo 1977.

(25) STEARNS, G. B. Exp. Data on One of the Fundamental Claims in Homeopathy. Jour Am. Ins. Homeo. 18; 4334441925

(26) BERNARD, C- Leçons sur la physiologie et la pathologie du systeme nerveus. Paris, 1858 J. B. Balliére Fils.

(27) DOS REIS, L. C. Participação de Vias Gabérgicas da Area Septal Medial no Controle da Natriurese, caliurese, Diurese e Liberação de Hormônio Anti- Diurético. Tese apresentada ao Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, para obtenção do título de Doutor em Ciências, 1991.

(28) EPSTEIN, Alan N, “Neurohormonal control of salt intake in the rat.” – Symposium on Regulation of Food Intake, Metabolism and Energy Balance. Yashiro, Japan October 26.29.1990

(29) DINICOLANTINO, R. Saline Preference of Cross-Suckled Spontancously Hypertensive and Normotensive Rats. Physiol Behay, 463461465 U.S.A., 190.

(30) RIBEIRO, Wagner Deocleciano Ação de Cloreto de Sódio CH 30 na ingestão de sal e água e na Natriurese de ratos Natriofflicos: um estudo cego randomizado placebo controlado. Dissertação apresentada a Coordenação do III Curso de Especialização em Homeopatia-Formação de Docentes e Pesquisa dores da Universidade Federal de Uberlândia, para obtenção de titulo de Docente e Pesquisador em Homeopatia.


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