A PROMOÇÃO DA SAÚDE NO CENÁRIO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA NO MUNICÍPIO DE SÃO JOAQUIM DA BARRA/SP: uma perspectiva evolutiva e sustentável

Dr Wagner Deocleciano Ribeiro

Médico no Programa Mais Médico em São Joaquim da Barra SP

Médico homeopata e cirurgião pediatra

Mestre em gestão empresarial

 Para conhecer o  território de atuação no que diz respeito ao processo saúde-doença e a vulnerabilidade da população de São Joaquim da Barra SP, fundamentalmente o profissional do SUS da Atenção Primária, de acordo com a Política Nacional de Promoção da Saúde (2018), deve atuar na Atenção Primária à Saúde e identificar dentro do seu território de atuação as necessidades de saúde e conhecer o processo saúde-doença da população e as suas vulnerabilidades. A Política Nacional de Promoção da Saúde, diz que:

“No esforço por garantir os princípios do SUS e a constante melhoria dos serviços por ele prestados, e por melhorar a qualidade de vida de sujeitos e coletividades, entende-se que é urgente superar a cultura administrativa fragmentada e desfocada dos interesses e das necessidades da sociedade, evitando o desperdício de recursos públicos, reduzindo a superposição de ações e, conseqüentemente, aumentando a eficiência e a efetividade das políticas públicas existentes”.

Diante disto o desafio de promover e organizar estudos e pesquisas para identificação, análise e avaliação de ações de promoção da saúde que operem nas estratégias mais amplas que foram definidas em Ottawa (BRASIL, 1996) e que estejam mais associadas às diretrizes propostas pelo Ministério da Saúde na Política Nacional de Promoção da Saúde, a saber: integralidade, equidade, responsabilidade sanitária, mobilização e participação social, intersetorialidade, informação, educação e comunicação, e sustentabilidade”.

(fonte: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_promocao_saude_3ed.pdf)

Por isto, as atuações do setor saúde propriamente dito  são fundamentais mas não suficientes para uma política de promoção da saúde já que cabe ao agente de saúde, seja médico, dentista, farmacêutico, enfermeiro, curandeiro, preparador físico, empreendedor, artista, e mesmo dona de casa, uma responsabilidade integrativa de trocas de conhecimento que gere efetivamente sua sustentabilidade e a da comunidade que vive e se sente responsável em melhorar sempre sua qualidade de vida e aumentar a sua biodiversidade ambiental.

ROTEIRO DA ATIVIDADE DE REFLEXÃO

Desperto pela atividade realizada no encontro presencial dos médicos de família em São Paulo, pelo Curso de Especialização do Programa Saúde da Família pela UNIFESP em junho de 2019, quando se reuniram 1200 médicos do programa, cujo objetivo foi integrar e nos conhecer trazendo um fortalecimento na prática de todos nós que participamos,  transfiri ao território de São Joaquim da Barra SP, uma análise crítica considerando o processo saúde-doença, bem como das perspectivas da promoção da saúde em São Joaquim da Barra SP tais como:

– Infra Estrutura – Saneamento Básico

SÃO JOAQUIM DA BARRA SÃO PAULO 
GENTÍLICO: JOAQUINENSE 
FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA 
Fixado o quadro territorial para vigorar em 1949-1953, o Município de São Joaquim da Barra é composto de 1 Distrito, São Joaquim da Barra e comarca de São Joaquim da Barra. Assim permanece no fixado pela Lei Estadual nº 2456, de 30-XII-1953, para o período de 1954-1958. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960. 

População no último censo   46.512 pessoas

Densidade demográfica 113,28 hab/km²

Educação: Taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade 96,7 %

Economia PIB per capita R$ 28.983,75 

Saúde

A taxa de mortalidade infantil média na cidade é de 8.53 para 1.000 nascidos vivos. As internações devido a diarreias são de 0.4 para cada 1.000 habitantes. Comparado com todos os municípios do estado, fica nas posições 361 de 645 e 290 de 645, respectivamente. Quando comparado a cidades do Brasil todo, essas posições são de 3448 de 5570 e 3606 de 5570, respectivamente.

Mortalidade Infantil 8,53 óbitos por mil nascidos vivos

Território e Ambiente

Apresenta 98.7% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 98.1% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 42.5% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio). Quando comparado com os outros municípios do estado, fica na posição 31 de 645, 175 de 645 e 130 de 645, respectivamente. Já quando comparado a outras cidades do Brasil, sua posição é 32 de 5570, 373 de 5570 e 677 de 5570, respectivamente.

Fonte

IBGE https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sp/sao-joaquim-da-barra/panorama

Seria muito fácil se nosso relato acima se ativesse na bibliografia da fonte mas quando se faz a Análise crítica considerando o processo saúde-doença do território em São Joaquim da Barra SP, bem como das perspectivas da promoção da saúde, difícil e quase impossível não falarmos realmente no silente e invisível mal da atualidade: A Violência!!!

– Violência, estampada na recepção do Programa Saúde da Família do Bairro Júlio de Lollo, em São Joaquim da Barra SP aonde se vê escrito num papel desbotado pelo tempo: “Proibido desacatar funcionário público, Lei Federal nº…”, aonde a recepção funciona como a testa de ferro de um sistema político administrativo realmente doente e muito medicalizado e cuja população barganha sua precária saúde, no balcão de negócios da recepção; quando agentes de saúde pressionados a intermediar uma receita ou exame, ou encaminhamento para o especialista; na urgente necessidade do doente e nunca na real indicação e clarificadora avaliação clinica bem feita e percepção de suas reais necessidades.

Ou seja a violência já faz parte da grande doença social dos abandonados e maltratados pacientes que não sentem-se acolhidos de forma humana e da tão necessária construção humanizada do atendimento primário à saúde. Além do tráfico de influência que se alimenta toda hora e todo dia que acaba também contribuindo indiretamente com o Tráfico de drogas, já que o sistema acaba induzindo pela medicalização excessiva e uma excessiva dependência dos medicamentos doados pela prefeitura e pelo SUS ( alto custo) que nunca dão autonomia ao indivíduo cidadão no que Hahnemann preconiza no seu Organon da Arte de Curar, & 9 que: “Curar um indivíduo é fazer com que ele atinja seu mais alto fim existencial, de forma autônoma, e de forma a se reconstituir como um todo indivisível e dinâmico, reequilibrando lhe a saúde, que é o que se chama curar.’ Ensinou também regras básicas de higiene tanto física como ambiental, que norteie o paciente a se manter na saúde.

– Contaminação do solo, e da água nunca poderia existir quando se adquiri uma consciência corporal e educacional ambiental para com sua autonomia possa gerir a autonomia alimentar (segurança alimentar) e econômica da sua própria família (aumento de renda).

– Com a Alta cobertura da atenção primária: com uma estrutura de dez programas saúde da família e criado o NASF em lei desde julho de 2018, São Joaquim, acredito eu, sai na frente de Franca SP, cidade sede regional, que somente implantou apenas cinco programas, quando deveria estar com mais de setenta, o que nos coloca numa rede de atenção primária a saúde como uma das mais importantes da Macro Região de Franca.

Tendo pois, agora, um grande desafio que é promover a integração de todo sistema de forma a termos mais resolutividade e diminuição de custo, quando já iniciamos visitas no CAPS da cidade de São Joaquim da Barra com intuito de integração do sistema de referência em saúde mental com nosso programa saúde da família do Bairro Júlio de Lollo, aonde detectamos uma grande incidência de transtornos psíquicos em tratamento crônico, numa população envelhecida e que necessita maneiras alternativas de tratamento como a homeopatia, fitoterapias, hidroginástica, e aonde já iniciamos desde há 1 ano e 6 meses, tanto a implantação da homeopatia na prescrição, como acesso aos medicamentos previstos no RENAME, de forma a dar condições a população do bairro, o acesso também gratuito aos medicamentos homeopáticos.

Para isto, estivemos junto a farmácia municipal em reunião com nosso gestor de saúde por duas visitas bem como ao gabinete do prefeito, que prometeu licitar ao menos os quarentas medicamentos mais usados na clinica homeopática cotidiana no bairro.

– A Falta de Integralidade entre as equipes é um dos problemas prementes e que exige uma tomada de consciência de toda cidade, que gasta muito e que tem pouca resolutividade daí a necessidade de promover um sistema de comunicação que possibilite uma tomada de consciência da prática e da efetivação deste processo, visando alertar toda comunidade joaquinense da grande importância do programa saúde da família e do médico da família que deve ser ativo e orientar sobre medicalização e interação medicamentosa, numa comunidade que tem muito médico, muito remédio e muito pouca saúde e qualidade de vida quando se entende esta qualidade como expressão maior da cultura de um povo.

– Entenda se Corrupção também como uma barganha do ilícito e desnecessário quando gera desperdício e má utilização dos recursos públicos em função muitas vezes da – baixa escolaridade que prepondera no bairro que trabalho hoje. Uma das maiores doenças do bairro inicia pela ignorância e má informação, ou distorção das informações para que crie o ambiente da extorsão reforçadas pelo pano de fundo da maledicência contumaz e que mantêm o circuito ou curto circuito da doença sistematizada .

DESAFIOS

– Ciclo vicioso como este e de difícil superação, deve-se ter uma atento e vigilante mecanismo de atuação, que não demonstre fragilidade, mas entusiasmo em mudar, sem medo e sem temor de que se busca fazer o melhor a comunidade, mesmo quando possa se ter a criminalidade afetando os cidadãos ou a falta de ética corroendo as perspectivas para se atingir a saúde mental do bairro de forma livre e positiva, a buscar nas mudanças e na criatividade da equipe as deixas necessárias a implementação das efetivas e urgentes mudanças.

– Mesmo quando a Troca para uma gestão que não inspira confiança traga desânimo deve se ter em mente e em planejamento estratégico situacional qual é a próxima peça de xadrez que você deve mexer para que dê um xeque mate ao vício da doença, que aqui se pode falar como ignorância da população que mesmo diante de catástrofes naturais ou doenças epidêmicas como estamos vendo agora esta pandemia e que o melhor manejo dos recursos seja sempre utilizado.

EFEITOS POSITIVOS

– Como hoje um dos problemas mais gritantes é a violência contra a mulher deve se incentivar a mobilização delas na participação com a comunidade de que lutem e se fortaleçam contra a violência doméstica seja incentivando a criação de uma Delegacia da Mulher no bairro e mesmo como aconteceu com a epidemia da dengue na região sempre buscar na organização fraterna da comunidade, na descoberta de seus talentos naturais dando – Atenção a vítimas de catástrofes que possam ser prevenidas e que também construam – Atividades culturais para o – Fortalecimento da Saúde Mental do bairro. – Territorialização bem planejada e efetivas equipes de agentes de saúde, conscientes e atuantes com – Campanhas de prevenção e promoção à saúde e buscar que seja – Criada a delegacia da mulher bem como trazer a – Utilidade pública com visões de empreendedorismo social e desenvolver atividades que possam inverter as prioridades aonde toda comunidade unida e integrada possa desenvolver iniciativas como foi sugerido como a – I Volta Ciclística Infantil ou um – Centro de atenção às vítimas de violência e catástrofes naturais bem como – Aulas gratuitas de pilates, probiótica, artes marciais e cultura oriental na amplitude corporal e resgate da liberdade do movimento com eurritmia,  e que tragam as mudanças na saúde que possam prever combate a dependência química e doenças psiquiátricas, mas sobretudo traga humanidade a toda comunidade são joaquinense!

E que possam então escrever a – Carta de São Joaquim da Barra pela saúde e participar conscientes e atuantes contra todas as doenças através da Homeopatia Preventiva e das Práticas Integrativas e Complementares além da Vacinação, e que possam superar doenças como tuberculose e outras mas sobretudo construindo uma sociedade de Boa Vontade!!!

  • Depois de quase 1 e 6 meses de minha inserção num projeto como este, Mais Médico, agradeço muito a vida, a possibilidade de reciclar meus conhecimentos e minha prática médica, de mais de trinta e três anos dedicados a medicina hipocrática e a homeopatia, sendo também cirurgião pediátrico nesse percurso, o que, pois, me fez entender como ainda não estou preparado para trabalhar numa equipe de saúde de forma integrada e vivenciando um dos princípios declarados pelo SUS: a integralidade!

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