REFLEXÕES DO AUTOR

PARIS , 1990

Senhor da vida e de sua própria morte, o homem moderno se fez tão imponente, que após romper os ditames do átomo , em busca de uma teoria absurda do caos permanente, reestrutura o seu pensar ganancioso em uma plena economia de subsistência. Selvagem em seu impulso histórico de conquista de vida fácil , às custas de aventuras heróicas; sem o mínimo de responsabilidade frente ao conquistado ; transformou a história do mundo numa seqüência de massacres e sofrimentos , onde sempre perdeu aquele que se deixou conquistar.
A História evoluiu de desgaste em desgaste dos recursos naturais, humanos, culturais…, e chegamos a tal ponto, que este pequeno planeta azul, corre o risco de se perder não mais numa teoria do caos, mas no próprio caos civilizante que este animal informatizado e robótico deixa rastreado no deserto ecológico pós-modernidade…
Rompe-se o equilíbrio ecológico com a mesma velocidade que o antropofágico capitalizado invade a selva mãe, em busca da harmonia perdida… E nesta busca incessante/incestuótica de um filho maldito na terra máter, constrói-se a eterna e histórica economia de subsistência…
Estaríamos realmente nos aproximando, no auge da tecnologia moderna, de um verdadeiro período de escassez? Como e que parâmetros medir nossa capacidade de gerar uma economia de subsistência às custas de fontes não renováveis de energia? Como quebrar a cadeia de economias de consumo, que geram necessidades fictícias reverberando reações em cadeia, que por sua vez, aumentam o consumo? “Juro gera juro, nunca gera mercadoria” já dizia o poeta, de quem fizeram ideologia…
Rever este equilíbrio perdido é uma necessidade urgente, e com o elo de integração homem/terra, descobriremos fontes renováveis de energia para que este civilizado sem direção, encontre nas atitudes elementares dos ditos primitivos uma melhor perspectiva de utilização desta tecnologia fadada ao desperdício dos já escassos recursos naturais…
E bem ao longe, nos recôndidos da grande floresta mágica, ouvimos um grito surdo e sufocado dos últimos ianomâmis que restaram. Para nos recontar a História e como era seu início, estão pagando caro e com sua própria sobrevivência. Suas mulheres fazem o trabalho pesado; um bebê ao colo e um fardo de lenha de 50 quilos nas costas para uma caminhada de uma hora no meio do mato, servindo a maridos polígamos e infanticidas… Estes mesmos que hoje dobram o século do despotismo e da subversão dos reais valores humanos, dentro desta selva de pedras e muito concreto… Chegamos ao auge esplêndido da técnica de contraceptivos e abortivos impostos por uma grande teoria de consumo de vida neste planeta da vida; e tão perto vemos as imagens mudas das mulheres parisienses, nesta floresta imaginária de ultrajes; são as mesmas mulheres ianomâmis sobrecarregadas de trabalho pesado; com dinheiro ao colo, um fardo de lenha de 50 quilos nas costas para uma caminhada de uma hora no meio desta selva de concreto… Economia de subsistência…

Wagner Deocleciano Ribeiro